segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sobre a Sexualidade Humana.


Delta 4
            Você definiria toda sua vida, tudo que você é como faz ou como deixa de fazer, seu modo de agir e de pensar, seu jeito de falar e se comportar, tudo isso por causa de 10 segundos?

            Parece que a primeira resposta que vem a mente é: _-Claro que não!

            Entretanto tudo que você é ou faz, indica a sua personalidade, suas escolhas e seu modo de lhe dar com elas fazem parte do seu ser, e nisso há um objetivo comum em todo ser humano que é a necessidade de se relacionar, não só socialmente como também fisicamente, e é neste momento que definimos nosso ser por algo que dura cerca de 10 segundos, isso mesmo, 10 segundos!
      
      Bom! Não estou sendo tão especifico, falando mais profundamente: uma pesquisa realizada pelo sexólogo alemão Rolf Degen, para descobrir a duração média de um orgasmo entre os seres humanos, e apontou que há grandes diferenças entre homens e mulheres, em média o tempo do orgasmo feminino dura 1,7 segundos já o orgasmo masculino 12,4s. Em média uma mulher passa cerca de 1h24s durante toda a sua vida em estado de êxtase e o homem experimenta 9h18s de orgasmo no total.

            No entanto, vamos aqui estabelecer uma visão mais simplista e considerar que todos em média têm 10 segundos de “puro estase” no momento sexual. É o ápice deste momento, e por causa destes 10 segundos pessoas se unem e formam famílias, ajudam um ao outro, estabelecem uma relação entre o que elas possuem e o que pertence em comum entre ambos, sentimentos existem, até uma relação de posse do outro em muitos casos é exigida, o “ato sexual” também trás a tona a existência de outro ser (dentro da heterossexualidade) entre ambos e este é como se fosse um “bem comum” para os dois, até a lei obriga a ter em um documento o nome do pai e da mãe, e tudo isso por que em um breve 10 segundos você teve seu objetivo atingido! O estase da relação sexual.

            Chega ser meio assustador pensar que por causa deste mínimo momento você definiu toda sua vida, tudo que você é e até suas escolhas são (biologicamente falando) atingidas em um pequeno breve momento. Até o fato de você existir vem deste pequeníssimo momento...

            E é claro que isso não é de fato visto como o único propósito na relação sexual existe as chamadas preliminares, no entanto estas só duram em média 16 minutos. O próprio nome “preliminares” já indica que é algo que antecede um fato ou um propósito, mesmo assim o fato que ocorre contando com as preliminares tem ainda uma duração muito pequena para definir toda nossa postura perante a vida.

            Fica claro perceber que “só isso” não deve ser algo que sirva para definir toda nossa existência, mesmo que de fato seja!

            Como somos e como agimos demonstra nossas “preferências sexuais” e pelo nosso modo de ser atraímos outro ser a desejar ter relações conosco. Isso por si só já estreita as possibilidades de relacionamentos, pois nossas preferências sempre excluirão outras possibilidades...

            Mas por que nos empenhamos tanto em formar uma imagem para definir nossas escolhas que acabaram acarretando em um fato que de fato dura apenas alguns minutos?

            Biologicamente se diz que: a necessidade de perpetuar a espécie!

            Bem, a natureza não parece ser tão pratica assim, porque permite que nossas escolhas nem sempre sejam para fins de reprodução.

            O mais estranho é notar que a natureza de todos os seres realiza um enorme esforço apenas para um evento que tem duração de apenas alguns segundos...

            As plantas desenvolvem flores, com diferentes cores e odores, para que um pequeno ser vivo venha e por um instante as fecundem; o pavão desenvolve uma linda plumagem, apenas para ter o consentimento da fêmea por um ato que dura apenas alguns segundos... Bem, o propósito aqui é falar “sobre” (no sentido de acima) a sexualidade humana, só que fazemos parte de toda esta natureza também e para entender a nossa precisamos entender suas origens... Existe hoje neste planeta cerca de 9 milhões de espécies de seres vivos, todos em constante mutação e com certeza a reprodução sexuada trouxe toda esta possibilidade de variações entre os seres, contudo convencer o  outro da sua capacidade de reprodução é algo de extremo dispendioso para vida, custa ao ser toda a caracterização de como ele é.

            Examinando apenas o que fica de tudo isso: é que todos nós, seres vivos, acabamos escolhendo (de certa forma) o comportamento que irá prevalecer em nossos descendentes, portanto as escolhas que fazemos num breve momento determinam toda nossa potencialização do que irá prevalecer no futuro, embora não tenhamos plena consciência disso; a sensação de felicidade ou de prazer acaba sendo assim um medidor de valores que devem perpetuar dentro da espécie.

            O fato de não termos plena consciência de como e por que a natureza desenvolveu estes mecanismos, nos leva por fim acreditar que toda a sensação de prazer ou felicidade é válida e deve ser vivida.

            Isso acaba fazendo com que tenhamos a crença de que somos “donos de nós mesmos” (realmente somos) para ser, fazer e viver como bem entender e sentir viver em função do prazer ou da felicidade, isso é visto como um objetivo comum para todo ser humano.

            Ai é que nos perdemos em nós mesmos!

            Quais seriam os limites desta busca, (do prazer e da felicidade) e será que há limites?

Físico e emocional

            Já mencionei em outro artigo (http://reflexhuman.blogspot.com.br/2014/02/principio-da-progressao-continuada.html) uma experiência realizada com ratos, e até (acabei falando mais sobre sexo neste artigo) sobre outras experiências, mas pra não repetir o assunto vou trazer aqui outras pesquisas realizadas com ratos também:

            Em um estudo realizado pelo neurocientista Barry Everitt e sua equipe da Universidade de Cambridge, treinaram ratos machos para pressionar uma barra e ter acesso a uma fêmea sexualmente receptiva em uma câmara. Depois que os animais machos aprenderam a tarefa, os cientistas interferiram no funcionamento de uma determinada região do cérebro e devolveram os animais ao local. Os ratos com lesão cerebral continuaram a pressionar a barra e ter acesso às fêmeas, sugerindo que ainda às queriam (sentiam desejo), mas quando uma fêmea se aproximava eles não conseguiam copular. No entanto, após terem uma amígdala danificada, ocorreu o contrário: os machos não mais pressionaram a barra para ter acesso às ratas (o desejo se foi), mas se uma fêmea era apresentada eles tentavam copular novamente. Everitt e sua equipe concluíram que desejo sexual não tem relação direta com o desempenho sexual, ou seja, é indiferente se o ser sente desejo, mas não tem um bom desempenho, embora possa ter um bom desempenho e mesmo assim pode não sentir desejo.
            Nesta pesquisa fica claro que o cérebro tem um papel importante no desejo e na intenção sexual, o que indica que não somos feitos para “Ser assim” e sim acabamos nos tornando assim (mais detalhes em A identidade Sexual neste mesmo artigo). Os pesquisadores ainda fizeram experiências administrando anfetaminas (uma droga que aumenta a dopamina) em uma região do cérebro dos ratinhos machos com a amígdala lesionada e os roedores voltaram a pressionar a barra para ter acesso às fêmeas, o que indica que o incremento na área de recompensa do cérebro compensou a falta da função da amígdala. A dopamina no centro de prazer do cérebro dos ratos também aumenta naturalmente depois que eles visualizam uma fêmea receptiva.
            As fêmeas dos ratinhos também surpreenderam ao mostrar que a dopamina envolvida na região de recompensa do cérebro, ligada à sensação de prazer, está envolvida na resposta para a cópula. Se houver algum problema nessa área, as fêmeas rejeitam os machos mais freqüentemente do que quando tem um circuito de recompensa intacto, o que evidência que há intenção na fêmea em encontros sexuais. Os pesquisadores descobriram que, para ter acesso a um macho, as ratas corriam até por uma cerca eletrificada, isso contraria a crença de que elas desempenham papel passivo na cópula. 
            Ao que tudo indica, não é o “ser assim” e sim a forma com que o ser se governa faz com que este tenha suas funções voltadas para ser de uma forma ou de outra, A dopamina é uma substância química liberada pelo cérebro que desempenha uma série de funções, incluindo prazer, recompensa, movimento, memória e atenção, causando satisfação ao se conseguir algo, nos faz sentir felizes. É no nosso cérebro que está à tradução daquilo que nos faz bem e quando repetimos as ações que nos faz bem, dentro de certas variáveis, nosso cérebro traduz isso liberando dopamina e gerando assim a sensação de felicidade, então quando repetimos isso variavelmente, independente do que for estamos ganhando dopamina e isso pode gerar um ciclo vicioso.
            Em outro experimento, cientistas davam regularmente bananas para macacos, o que liberava dopamina. Após algum tempo ganhando regularmente as bananas, os cérebros dos macacos não liberavam mais dopamina com as bananas. Então os cientistas pararam de dar bananas aos macacos e estes passaram a liberar cortisol (responsável pelos sentimentos ruins), ou seja, após algum tempo exposto a um mesmo estímulo que libera dopamina continuamente, o nosso cérebro passa a não recompensar com a mesma sensação de prazer, mas ao tirar este estímulo sentimos uma sensação ruim. Isso funciona como na frase ‘‘só damos valor quando perdemos’’.

            Isso é muito semelhante ao nosso aprendizado inicial de nossa infância, quando recebemos um brinquedo novo ficamos extremamente felizes, mas depois de brincar por um tempo a sensação boa causada pelo brinquedo acaba, no entanto, ao quebrar o brinquedo, por exemplo, ficamos tristes e frustrados com o fato. O que indica que nossa mente está sempre voltada ao estimulo inicial, mas depois de um tempo este estimulo perde aquele potencial emocional que tivemos de inicio, isso porque a nossa própria existência exige um crescimento continuo de novas experiências. E como acontece quando ao levamos um susto com algo inesperado (veja o artigo: http://reflexhuman.blogspot.com/2014/07/pistantrofobia.html) isso aumenta a atividade cerebral devido ao fato de necessitarmos de uma resposta para o evento, mas com o tempo, pela compreensão do evento deixamos de nos assustar e assim a mente não dispara o gatilho da necessidade de busca de uma resposta... A mente é um órgão que empenha uma função, de gerar compreensão e retornar com outra função, seja uma resposta verbal ou uma reação, e isso é feito através das emoções e estímulos recebidos, gerados ou correspondidos. O que não implica em uma necessidade constante, de um estado constante de alerta emocional, implica em termos um pequeno gatilho (momento) para este ou aquele evento que depois de registrado ganha assim uma identidade emocional.

Psíquico

            Sigmund Freud (pai da psicanálise) em seu método de estudo dividiu a mente em três estruturas principais:

Superego: É a parte da mente responsável pelo controle do que podemos e do que não podemos é o nosso senso “moral”.
Ego: É a característica que apresentamos o nosso ser quanto ao ser em si.
Id: Nosso instinto mais primitivo é o que age segundo as informações emocionais (pulsão) que trazemos em nosso ser.

No meu livro “Só por Ele!” o paciente (personagem principal) apresenta estas três características de si mesmo separadas do próprio ser. O seu superego assume a figura da mãe: esta é capaz de sacrificar seu próprio filho para se sentir segura, agindo sempre preocupada com o futuro; já o ego vem sobre a figura do pai, age sempre motivado pela mãe e tem poder sobre o filho, suas atitudes estão ligadas ao presente; o id é o próprio personagem (filho) que baseia seus sentimentos em experiências do passado. Nestas figurações temos:

Mãe
Pai
Filho
Superego
Ego
Id
Consciência
Subconsciente
Inconsciente
Futuro
Presente
Passado
essencialismo
Behaviorismo
Hedonismo






Burrhus Frederic Skinner, psicólogo, criador do Behaviorismo radical, em sua proposta, ele estudava os seres e seu comportamento através de tentativa e erro para obter uma recompensa. A Caixa de Skinner, assim chamada, é o local onde se faz estas observações. Por basear o comportamento dos seres perante a ação, ou seja: no presente, as respostas obtidas possuem por sua vez características hedonistas.

            O hedonismo é ideia que baseia o prazer individual e imediato como o único bem possível (por isso é manifestação inicial do id), capaz de satisfazer o indivíduo e leva-lo a felicidade. Isso nos arremete a indagação inicial deste artigo onde definimos nosso ser a toda a nossa existência por causa de uns poucos instantes.

            Dentro de nosso ego, na ação presente, tendemos a repetir o comportamento premiado, ou seja: que recebe recompensa, por isso independente de nossa educação (moldada no superego) a pulsão, que é o comportamento energético que direciona nossos desejos, diferente dos instintos, que é a ação aprendida por experiência... Para entender melhor vamos a um exemplo:

            A criança tem no inicio de sua vida o desejo (id) de querer andar, é a pulsão energética para adquirir o comportamento de andar, quanto que o instinto só ocorre quando a criança já sabe andar e pra isso aciona o gatilho: desejo, com o aprendizado “saber andar” e por instinto ela anda sem a necessidade de pedir ao superego a concentração de suas energias para poder andar, basta apenas à solicitação do ego.

            ...Age sobre o ser, criando assim um ciclo de repetição do feito benéfico.

            Skinner queria saber se a superstição é uma pulsão comum a todos os seres gerando assim um comportamento instintivo. Para isso ele colocou uma pomba na caixa de Skinner e simplesmente observou o comportamento da ave que recebia uma porção de ração sem a necessidade de acionar alguma alavanca. O alimento era servido em intervalos regulares ou aleatórios e as pombas começaram a repetir certos comportamentos como se ao repetir o ato de mover a cabeça de um lado para outro, por exemplo, fosse responsável pela recompensa. Assim Skinner mostrou que independente da cultura ou de qualquer outra forma de ensinamento (educação) os seres tendem a crer que eles são responsáveis por aquilo que recebem do ambiente, isso demonstra que a ação da consciência (superego) nem sempre é responsável pelo comportamento operante (assim chamado por Skinner)

Incluso na Sexualidade

            Agora vamos aplicar tudo isso a sexualidade humana.
            Como vemos, não há na natureza algum mecanismo que impõe algum limite para sentir prazer ou felicidade, o que pode ser observado é que fisicamente existem mecanismos biológicos, como a identificação de certas regiões no cérebro, que por natureza, regulam as funções físicas, as emoções e ainda reforçam a repetição de certos comportamentos pelo fato de haver uma necessidade de interagir com o ambiente no qual o ser se encontra. Isso demonstra que não somos feitos pra ser de uma forma ou de outra, adquirimos através das emoções, as informações referentes ao mundo exterior, e a partir destas informações moldamos nosso modo de ser (hedonistas), geralmente voltamos nosso jeito de ser a forma que nos trás maior satisfação e reconhecimento, como por exemplo: o ato de fumar é uma característica individual, muitas vezes confundida com egoísmo, na realidade trata-se da busca por satisfação pessoal; ou uma menina que se vê dançando, imitando o modelo adulto, ao receber atenção a criança passa a repetir tal habilidade, pois a satisfação causada pelo reconhecimento lhe trouxe a sensação de prazer e felicidade, fazendo com que esta criança molde o seu ser a ser assim (uma dançarina) é a pulsão levando a essência á buscar uma identidade.

            Agora vamos olhar para realidade da sociedade na qual vivemos:

            Hoje em dia temos argumentos que circulam dentro de nossa sociedade que valorizam até mesmo o comportamento agressivo:

            _- Eu sou assim e ninguém me proíbe de ser como eu sou...
            _- Que mal tem de ser assim...
            _- A vida é minha eu faço o que eu quiser com ela...
            _- O corpo é meu e eu faço o que bem quero com ele...

            Fica então a questão:

            Se não nascemos para ser assim ou assado, afinal somos fruto do ambiente em que vivemos e interagimos com as emoções que este ambiente nos causa, como saber já de antemão quem somos?

            Se um pensamento errôneo for promulgado dentro do convívio social, este pensamento nos leva a ter certos comportamentos, e na natureza não há nada que impede o nosso comportamento, assim sendo a identidade sexual pode ser moldada pela interação com o ambiente em que vivemos e a forma com que traduzimos nossas emoções leva ao prazer ou ao repudio de outros comportamentos.

O relatório Kinsey

            Entre 1948 e 1953, Alfred Charles Kinsey elaborou um longo estudo sobre a sexualidade humana, conhecido como Relatório Kinsey, este relatório foi muito usado para promulgar e apoiar a diversidade do comportamento sexual humano, o que muita gente não sabe é que em sua pesquisa Kinsey não buscou esses dados de forma aleatória, visando ter uma informação diversificada, ele pesquisou 11.240 indivíduos (5.300 homens e 5.940 mulheres) entre os quais ele se concentrou na população branca, e de determinados locais dos EUA, muitos dos quais eram presidiários (presos por algum crime sexual). A maior parte da amostra homossexual consistia de delinquentes. Inclusive, um dos coautores do estudo era Wardell Baxter Pomeroy, psicólogo da prisão do Estado de Indiana. Teriam sido feitas entrevistas com cerca de 8.603 homens, mas apenas 5.300 foram aproveitadas. Seria uma seleção de dados, para direcionar os resultados?
O próprio Kinsey teve relacionamentos homossexuais com seus colaboradores e inclusive apoiava que sua mulher também tivesse relacionamentos com eles.
            Kinsey defendia que todos os comportamentos sexuais considerados anômalos são na verdade normais, ao mesmo tempo afirmou que ser exclusivamente heterossexual é anormal!
Ele acreditava que a heterossexualidade é provocada pelas inibições culturais e de condicionamentos sociais, contrários à natureza do homem. Em sua opinião afirmava que os cristãos herdaram o comportamento sexual quase paranoico dos judeus.
Kinsey também apresentou dados sobre comportamento sexual juvenil, orgasmos em crianças e adolescentes, supostamente obtidos ao entrevistar pedófilos, como Rex King e o ex-oficial nazista Fritz von Balluseck. Sem falar que há varias acusações de que ele teria promovido aos pais ter relação com seus filhos e ainda marcar o tempo com que as crianças chegam ao orgasmo!
Quarenta anos depois deste relatório, durante os quais se deu crédito aos dados publicados por Kinsey, cientistas de vários países demonstraram a falsidade das conclusões do relatório e a falta de uma visão mais científica.

Muitos psicólogos ainda falam que cerca de 10% da população mundial é homossexual, sendo este numero baseado neste relatório. Até hoje este mito dos 10% persiste em ser dito para defender a homossexualidade humana.

            As consequências mais visíveis deste relatório são ideias como a separação entre a atividade sexual e a procriação; o exercício da sexualidade fora do matrimônio, o chamado “amor livre”; e a separação entre a atividade sexual do amor. Estas ideias são levadas em conta quando se tomam decisões sobre políticas de saúde sexual, ou reprodutiva, e continuam sendo parte do conteúdo dos programas educativos em relação sexualidade em todo o mundo.

Como Identificamos

                                                           A criança é o pai do adulto.
Sigmund Freud

Freud causou muita polemica ao dizer que a identidade sexual começa assim que nascemos em seu estudo, ele relata que o primeiro contato sexual do bebê se da através dos seios da mãe (fase oral), esta fase dura até o primeiro ano de vida,
A segunda fase é anal, que vai aproximadamente do primeiro ao terceiro ano de vida. Neste período as pulsões se dirigem ao ânus, ao controle da tensão intestinal. Nessa fase a criança tem de aprender a controlar sua defecação e, dessa forma, deve aprender a lidar com a frustração do desejo de satisfazer suas necessidades imediatamente. O defecar imediato e descontrolado é o protótipo dos ataques de raiva; já uma educação muito rígida com relação à higiene pode conduzir tanto a uma tendência ao caos, ao descuido, à bagunça quanto a uma tendência a uma organização compulsiva e exageradamente controlada. Ao contrario do senso comum que pode achar que esta fase é voltada a descobrir a penetração, na realidade está envolvida no controle das próprias emoções, já na próxima fase (genital) está envolvida no entendimento da própria diferenciação sexual que é quando a criança descobre ser diferente do pai ou da mãe, esta fase vai dos três aos cinco anos de vida.

Todas estas descobertas são importantes para o desenvolvimento das emoções e do entendimento do próprio adulto, por isso que na psicologia o relato da infância pode trazer um melhor entendimento do ser adulto.

Em uma sociedade onde a constituição familiar é cada vez mais “livre” das convenções comportamentais, estamos gerando crianças que nem tem como identificar suas fazes, que fossem naturais de serem vividas. Por exemplo:

Na fase oral, ao invés da criança ter contato por mais tempo com a mãe, usa-se a chupeta!
No período anal, ao invés da criança aprender o momento de defecar, usa-se fralda!
No período de descoberta do seu próprio sexo, usa-se a escola, o professor e a própria criança em um estado coletivo de identificação.

Vemos ai, que a vida em sociedade quebrou um ciclo de descoberta e aprendizado que é natural em todos os outros seres vivos... As mães por não poderem estar com seus filhos no peito por mais tempo oferece a criança um artifício; (já vi mulheres dizendo que a criança usa o peito como chupeta, sendo que é a chupeta que está substituindo o peito) ao invés de ensinar a criança a ter um controle intestinal, deixa a criança livre pra fazer no momento que quiser usando fralda; e muitos pais ao invés de ensinar a criança que o seu sexo é o seu intimo, ou seja, próprio da sua pessoa, que está ligado ao seu próprio ser e a forma com que este irá ser no futuro e se relacionar com as pessoas mais próximas, acabam debatendo isso de forma livre e diante de todos, tirando assim o lado pessoal e levando ao coletivo...
Fica então a própria criança, que não aprendeu o valor da afetividade, que de certa forma pode ser substituída até por um objeto (chupeta), que não aprendeu a controlar suas pulsões (usando fralda), deixando aberta a aquisição dos instintos e ainda colocando o seu “eu” como sendo algo comum e coletivo, sem uma identidade interna e pessoal.

Com todos estes defeitos nas etapas de criação do ser humano e dentro de uma sociedade onde o gênero, que é somente dois, passou a ser visto de forma tão diversificada (Em um noticiário vi que em alguns países o facebook permite cerca de 50 escolhas de gêneros) será que estamos mesmo sendo livres, ou apenas perdidos em nossa própria identidade?

O psicólogo Paul Bloom, em sua obra How Pleasure Works (como o prazer funciona) fala que o ser humano vem desenvolvendo uma capacidade que ele chama de essencialismo, trata-se de atribuir aos objetos ou até mesmo as idéias, valores que na realidade não existem. O prazer na realidade trata-se do nosso julgamento sobre um objeto ou pessoa com a qual interagimos, em suas palavras:

"Mesmo nos prazeres mais animalescos, somos influenciados por aquilo em que acreditamos.”

Na filosofia o essencialismo remete para a crença na existência das coisas em si mesmas, não exigindo qualquer atenção ao contexto em que existe, a qualidade de uma coisa (ou a ideia) recebe total confiança por ter aprovação maior.

            Em suma é o contexto com que algo é apresentado que o torna apreciável ou desagradável isso indica que não nos baseamos em nossos próprios valores e sim seguimos os modelos que nos são apresentados e assim damos a estes os nossos valores.

            Como ter um tênis de marca, ou uma roupa de grife, são conceitos atribuídos em nossa sociedade, o prazer atribuído em ter um tênis ou uma roupa “cara” não está diretamente ligado aos objetos e sim no fato de direcionarmos nossas atenções aos objetos. A arte, por exemplo, valorizamos um objeto artístico pelo valor considerado que um artista tem, mas desprezamos o mesmo objeto se for dito que é uma réplica.

            “Portanto nossos valores são identificados por nossas considerações, agora imagine que a cada dia vemos a sociedade desvalorizando o relacionamento conjugal, principalmente dentro da heterossexualidade, e valorizando o chamado “Amor Livre” isso indica que temos uma sociedade voltada para os valores hedonistas e para o essencialismo, menosprezando a própria aquisição cultural, que foi adquirida ao longo de muito tempo, e valorizando idéias supersticiosas, como achar que: somos donos de nós mesmos!

            Como já disse: realmente somos... Mas quem é que conhece toda a natureza que envolve a criatura humana?

            Fica a dúvida se estamos agindo por consciência ou somente pela pulsão de nossos sentidos mais primitivos, e vivendo em uma sociedade onde cada um procura agir de uma forma, acabamos ‘achando’ que pelo agir desta ou de outra forma é o que vai nos fazer felizes!

            Assim assumimos o risco de viver tamanha diversidade sem saber quais são os limites de como viver com nossa própria identidade.

A identidade Sexual

Liberdade! Um bem tão precioso que pra isso a humanidade já realizou guerras, conflitos e até se cria fronteiras para que a partir daquele local a língua passe ser outra, o dinheiro a cultura... Hoje estamos vivendo uma nova evolução de libertação, a liberdade sexual. Cada um escolhe o seu modelo de relacionamento sexual que deseja ter, seja heterossexual, bissexual, homossexual... Fica a dúvida se há um limite para tanta liberdade ou será que todas podem e merecem serem vividas?

A imagem ao lado é do Conjunto de Templos de Khajuraho na Índia. Foram construídos ao longo de cem anos, desde o ano 950 até ao ano 1050, Na época áurea da cidade, contavam-se mais de 80 templos Hindus, dos quais apenas 22 se encontram em estado de conservação. São um exemplo da ligação entre a religião e o erotismo. A primeira vista podemos pensar que eles viviam em plena liberdade sexual, na realidade as imagens eróticas constam apenas de 10% de todas as outras imagens, algumas incluem até cenas de sexo de seres humanos com animais. O mais interessante é que todas as imagens são retratadas do lado de fora do templo enquanto que na parte interna não há nenhuma imagem.

            Acreditasse que a real intenção era que todos os pensamentos, inclusive os mais eróticos possíveis, eram pra serem deixados do lado de fora do templo, enquanto que na busca interior era preciso um estado de limpeza completa dos pensamentos do mundo exterior.

            Hoje em dia fazemos o contrario!

            Buscamos modelos exteriores e vinculamos estes ao nosso próprio eu. É um mundo onde tudo é valido e tudo pode ser feito e assim se diz:

            - O importante a ser feliz!

            Então, fica a questão: Quais são os limites?

Será que podemos mesmo ter relações sexuais com diferentes idades se relacionando entre si, com animais, ou com pessoas do mesmo sexo, ou do mesmo conjunto familiar?

Não é minha intenção debater aqui o certo ou errado, bom ou ruim, afinal como podemos ver através do essencialismo, cada um pode escolher seu objeto de valor ou até mesmo seu comportamento de maior estima ou apreciação, gostar de ser assim, seja como for, é de domínio de cada individuo, e como já disse acreditamos que somos donos de nós mesmos, só que há uma natureza maior que vem desde nossa filogênese (grupo familiar a qual uma espécie pertence), nossa ontogenia (forma com que cada individuo de uma espécie evolui dentro de seu grupo familiar) que como pode ser vista, não há um modelo pré programado para a melhor escolha, nosso genes apenas estabelece que tal grupo de comportamento têm mais chances de reprodução devido ao ambiente no qual vive, o que não significa que seja o melhor, a natureza não julga, seleciona como numa eleição, apenas passa adiante o conjunto que tem melhores probabilidades de sobrevivência e perpetuação. E como vimos por um instante às emoções vividas pelos seres são sempre válidas e repetidas através do desejo e do prazer de se ter aquelas emoções em nosso ser.

            Por menores que sejam nossas emoções elas acabam fazendo parte do nosso ser, o que não significa que devemos viver todas as emoções para escolher entre todas aquelas que você possa melhor se adaptar e vivenciá-la, somos seres individuais e por isso nossas escolhas são de posse do individuo, e exatamente por sermos indivíduos não podemos viver todas as escolhas que temos pra viver.

            Somos fruto de uma natureza que nos impulsiona a fazer, ser, ter, desejar, satisfazer e alguns de nossos impulsos já vem prontos para definir o que somos, cabe a nós aceitarmos esta natureza que já existe em nosso ser, sendo assim é a nossa identidade com a qual já nascemos. Em outros casos nem sempre podemos aceitar a imposição natural, pois podemos não estar, em essência, nesta natureza.

            Podemos assumir outra identidade que não seja a de nossa natureza?

            Sim podemos, mas isso não nos fará mais felizes ou mais satisfeitos, nos fará felizes e satisfeitos com a gente mesmo.

            Tanto o homem quanto a mulher fazem parte dos mamíferos, e ambos vão ter o toque da mãe, mas se esta natureza for substituída quais podem ser as conseqüências desta substituição?

Sem Identidade

            Em uma pesquisa feita pelo Dr. Harlow que se iniciou em 1930 e durou cerca de quatro décadas com macacos Rhesus em Madison, próximo de Chicago, ele retirou os macaquinhos das mães logo após o nascimento para obter um macaco, tipo padrão, sem influencia de outros macacos e descobrir qual comportamento poderia predominar nos primatas.  Para substituir a mãe ele usou dois modelos em diferentes aspectos, um era apenas um cilindro de arame com uma mamadeira e o outro o mesmo cilindro, mas sem a mamadeira e com um tecido felpudo, pra testar se a necessidade de alimento era maior que a necessidade de conforto, os macaquinhos mamavam nas mães de arame, mas preferiam ficar com a mãe de pelos depois de mamar, esta pesquisa é bastante extensa e foram realizados vários outros experimentos, os macaquinhos cresceram fortes e saudáveis, no entanto o dado mais interessante que me surpreendeu foi que, para continuar a pesquisa o Dr. Harlow colocou estes macaquinhos em outras jaulas formando casais para se reproduzirem e continuar suas pesquisas, mas os macacos não acasalavam, para tentar recuperar os macacos do seu comportamento anômalo ele introduziu-os em um ambiente natural em uma ilha no zoológico de Madison juntamente com outros macacos, depois de alguns dias um macho do grupo criado por Harlow se afogou e duas fêmeas se machucaram. Os testes de inteligência entre os macacos criados nas jaulas e os criados livres mostraram que a inteligência dos macacos eram as mesmas, a saúde física também, no entanto ao observar o comportamento percebeu que vários transtornos psíquicos foram gerados pelo isolamento.
            Para observar então quais eram as conseqüências em uma fase de isolamento total com novos macaquinhos os distúrbios de comportamento se revelaram ainda maiores, muitos machucavam as extremidades dos corpos ou chupavam os dedos das mãos e dos pés, ao tentar reintegrá-los ao convívio social a situação só piorou, se tornaram agressivos ou temerosos, sempre em forma de acessos súbitos, explosivos e sem sentido e sempre antes ou depois desses acessos de fúria, ficavam paralisados de medo, embora o macaquinho atacado nem chegasse a reagir, em outro acesso quase que suicida um macaquinho supervalorizando a si mesmo e atacou um macho forte de posição superior à hierarquia, comportamento jamais visto entre esta espécie de macacos.
            As fêmeas criadas assim só engravidaram por inseminação artificial e ao se tornarem mães algumas chegaram a matar seus filhotes apenas pelo simples fato do mesmo lhe erguer os braços lhe pedindo carinho. Filhos de mães criadas sem mães herdaram a mesma agressividade e tiveram os mesmos transtornos dos que foram criados em isolamento.

            Como vemos nesta pesquisa há muitas semelhanças com o comportamento humano de hoje em dia, pais que são capazes de matar seus próprios filhos, filhos sem a menor responsabilidade sobre si mesmo, sem noção de limites (como no caso do menino atacado por um tigre aqui no Brasil) e mães que não fazem a menor questão de cuidar dos seus filhos e em casos extremos além do abandono, são capazes até de matar.

            Para onde a liberdade está nos levando?

            Parece que nosso querido Kinsey em seu relatório desconhecia o que é realmente anômalo no comportamento dos seres e principalmente no humano.

Sendo humanos

            Geramos uma geração saudável e inteligente, mas sem uma identidade que fundi o amor com o intimo, o carinho com a afetividade, pois carinho não é apenas toque, é também uma aprovação que damos ao outro por sua existência e com ela nos fundimos e mostramos nossa adoração pelo seu existir.   Ser pai ou mãe é algo que ocorre em um breve momento, mas a responsabilidade com o ser que nasce vai por toda nossa existência. Somos a única espécie animal que continua a perpetuar uma ligação familiar com nossos descendentes até o fim de nossas vidas e esta responsabilidade é muito longa para ser definida por apenas alguns minutos do nosso existir. O prazer e a felicidade pode não estar naquele breve momento de fusão entre os corpos e sim na fusão de nossos ideais, de nossa procura e bem estar. O conforto de ser amado pode ser muito mais importante do que o alimento a mesa, ser pai ou ser mãe pode ser muito mais do que a obrigação exigida por lei, muito mais do que ter os nomes deles acompanhando nossa identidade, podemos acompanhar também seus bons exemplos, seu desejo de vê-los juntos pra sempre e se não teve isso em seu lar construa você mesmo isso no seu lar e saiba que o prazer e a felicidade podem não estar num bom desempenho ou somente no desejo realizado, está na valorização de algo que só se paga doando ao outro o seu próprio ser, o seu próprio existir, não só pelo prazer ou pra dizer que fez alguém feliz e sim por também compartilhar até o seu ser físico para que possamos ser não só completos, mas também plenos um com o outro e com os outros que virão depois de nós.

            Bem, como eu disse lá em cima, este artigo é pra falar sobre, no sentido de acima, a sexualidade humana, talvez você esperasse ler Sob a sexualidade ou até mesmo e somente da sexualidade em si, mas ao longo do estudo que fiz para escrever ‘sobre’ o assunto vi que esta visão separada para falar de algo que acontece em um pequeno intervalo de tempo em nossas vidas, que gera tanto assunto ao se olhar somente para este momento supervalorizando nosso empenho ou o prazer sentido. Isso não nos faz sermos melhores se fazemos de forma livre ou se reprimimos de forma pecaminosa, o que vale na vida não é viver bem um só momento, é viver bem todos os momentos e só podemos viver bem se conhecermos bem a nós mesmos para não corrermos o risco de sermos vitimas de nossas próprias falhas e dos desentendimentos de nós mesmos.

Até.
         
           


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