terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Das Relações Econômicas

Das Relações Econômicas

            Em 1998 um amigo ia jogar fora um livro sobre economia, pedi pra ele aquele livro e disse que iria ler, pois queria entender como funciona a economia, o mundo dos negócios e das finanças. Era um livro amarelo com mais de 300 paginas que começava contando uma história mais ou menos assim:

            - Estava na estação de trem e vi José correndo a toda velocidade quando o trem estava para fechar as portas e ele conseguiu entrar! Naquele momento entendi como podemos ter o melhor para nós!
            - Se do povo tirassem todo o dinheiro somente pessoas como José seriam as mais dispostas a vencer...

            Bom! Parei de ler por ai e decidi que aquele livro realmente merecia ir para reciclagem!

            Em minha concepção como alguém pode achar que as pessoas que merecem construir riquezas são aquelas dispostas a correr o risco de cair, de se machucar e não obstante são estas as pessoas que nos dão alguma contribuição para a construção de riquezas, que disparam na busca do seu próprio favorecimento. Eu realmente entendi a analogia ao mesmo tempo não entendi como o conceito de economia pode ser individualizado!

            Eu tinha 28 anos na época e tinha visto meu país passar por sete moedas diferentes: Cruzeiro (1970), Cruzado (1986), Cruzado novo (1989), Cruzeiro (novamente em 1990), Cruzeiro Real (1993) e real (1994)!

            Na minha visão tudo isso era por que as pessoas agiam como José que ao ver uma oportunidade disparavam na frente em busca de ganhar dinheiro, então para obter o equilíbrio o governo era obrigado a baixar um decreto congelando os preços para que todos pudessem ter o direito de adquirir as coisas com o mesmo valor para todos. Isto equivale então há ter todas as pessoas na estação de trem e todos teriam o mesmo direito de entrar e entrariam sem deixar ninguém para trás.

            É claro que a analogia exibida no livro queria retratar que mesmo aqueles que estão em atraso precisam avançar e querer chegar onde todos estão para conseguir seguir nesta viagem que é nosso desejo de vitória. No entanto é preciso entender que a analogia humana está sujeita a falhas, um exemplo disso é a famosa lei de Gerson.

            Em 1976 o jogador de futebol “Gerson” participou de uma propaganda de cigarros onde sua ultima frase era: "Gosto de levar vantagem em tudo, certo?" que na realidade ele queria dizer que o bom era ter a  vantagem no preço e na qualidade do cigarro anunciado ( hoje sabemos que cigarro não tem vantagem e nem qualidade nenhuma), mas a ênfase acabou virando sinônimo de malandragem e corrupção, onde o importante mesmo é sempre obter vantagens, até mesmo infringindo as leis! (mais informação sobre a Lei de Gerson você pode ter neste link: http://www.infoescola.com/curiosidades/lei-de-gerson/)

            Da mesma forma é o que acontece com o fenômeno da inflação!

            Antes de prosseguir quero dizer que o meu entendimento sobre a economia não vem de algum outro livro, eu simplesmente busquei entender por minha própria vivência e meu entendimento não tem por base nenhum outro estudo de economia, trata-se simplesmente de minhas observações filosóficas sem que haja algum guru ou alguém inspirador, são observações próprias que neste momento exponho através deste artigo.
           
            Mas antes de falar sobre a inflação vamos entender primeiramente sobre o que é o dinheiro.

            Ao viver em sociedade a humanidade ganhou uma vantagem importante sobre qualquer outra criatura na face da terra, pois cada um trabalhando individualmente conseguiu adquirir uma maior habilidade para produzir bens e produtos de consumo com mais eficácia e empreendimento, no entanto isso teve um custo a ser considerado!

     
       Um Ferreiro, por exemplo, ao se empenhar em seu oficio não poderia empenhar-se em fazer suas próprias roupas, um tecelão ao fazer tecidos não poderia se empenhar no corte das roupas, já um alfaiate se empenha em cortar o tecido feito pelo tecelão com um instrumento de ferro esculpido por um ferreiro.

            Nesta cadeia social o dinheiro surgiu e como peça fundamental para medir todo este escambo, ou seja: na necessidade de troca, nem sempre um alfaiate vai precisar de uma tesoura ou outro instrumento qualquer feito pelo ferreiro, enquanto o ferreiro precisa de roupas que com o tempo se desgastam facilmente e, é claro que o trabalho do ferreiro tem um ‘valor estimado’ e por isso merece, ainda que o alfaiate não queira os seus serviços, ter os bens que necessita, nisso surge então o dinheiro que não passa de uma medida dada por alguém que esboça exatamente o ‘valor’ do serviço prestado pelo ferreiro dentro de um convívio social, mas antes de prosseguir vamos entender primeiramente o que é este tal de ‘valor’.

            Esta palavra valor explicita na realidade a medida e a qualidade pela qual um produto ou um serviço têm em determinada importância dentro de uma sociedade, estima ou apreciação, admiração ou mérito.

Existem diversas classificações sobre o que são Valores:

            Na Economia:
            O Valor Adicionado é a diferença entre o valor de produção de uma mercadoria e o custo total das matérias-primas e serviços adquiridos para sua fabricação, o valor agregado equivale à soma dos lucros e dos salários e juros pagos pela empresa fabricante.
            Valor de Mercado é o Preço de um bem determinado pela interação da oferta e da procura. 
            Valor de Troca é a capacidade de um bem de ser trocado por outros bens, ou por dinheiro.
            Valor de Uso é a capacidade que um bem tem de satisfazer necessidades humanas.
            Valor Estimativo é o que depende da estima ou apreço em que se tem em um objeto.
            Valor Real é o que foi corrigido para eliminar o efeito da inflação...
           
            E outros como Valor emocional, valores morais, valores éticos... Por fim podemos qualificar desde pensamentos, coisas e até comportamentos dando a estes algum valor, em outras palavras:

            Dando alguma medida de importância, estima ou apreciação, admiração ou mérito.

            Ao longo da história o Dinheiro foi surgindo passando por transformações, mas o que importa mesmo é que o valor que o dinheiro tem é apenas abstrato!

A economia moderna também enfrenta dificuldade em decidir o que exatamente é o dinheiro e é estranho dizer e pensar nisso, mas a realidade que dinheiro é apenas isso: Uma abstração, algo que ilusoriamente tem algum significado!

            Se pegarmos nosso dinheiro aqui do Brasil e tentarmos comprar algo na China, por exemplo, mesmo que você apresente uma nota de cem reais para pagar um doce é quase certeza que o chinês não irá aceitar, pois pra ele aquele papel com desenhos não representa nenhuma medida.
           
            Da mesma forma que você também não reconheceria o valor do dinheiro de outros países.

            Portanto o valor do dinheiro é dado pela nossa própria avaliação e consideração do que ele é.

            Sendo assim a valorização ou desvalorização do dinheiro trata-se de uma consideração convencional aceita dentro de uma organização social ou até mesmo por grupos de organizações como no caso o Euro.

             Seria fácil para um país enriquecer apenas fabricando dinheiro e distribuindo para a população podendo fazer com que todos enriqueçam, mas a produção e distribuição do dinheiro esta diretamente ligada com a produção e distribuição de riquezas. Para entender isso imagine um pequeno reino em uma ilha pequena onde o nosso Ferreiro, alfaiate e o tecelão moram.

            Vamos analisar duas diferentes situações dentro de um mesmo cenário!

  1. Em um primeiro momento:
            O ferreiro sabe que o bem produzido por ele para ser bem aceito precisa da apreciação e admiração de todos, ter além de beleza, durabilidade e eficiência. Tudo isso leva o nosso ferreiro a ter importância em nossa ilha, pois se o seu trabalho é assim admirável o mérito que ele tem faz com que outros lhe avaliem e lhe deem a medida de seu trabalho e uma boa forma de premiar nosso ferreiro, vamos chamá-lo de Sheffield, é medir bem seu trabalho com algo que represente este valor!
            Porém, se Sheffield se encher de avareza e achar que seu valor merece uma consideração maior uma importância maior e exigir um valor maior, por exemplo, de nosso alfaiate, vamos chamar de Giogio, e Giogio não tiver tanta importância no sentido de valor para conseguir adquirir uma boa tesoura vai ter que adquirir outra, talvez uma que Sheffield não tenha feito com tanta devoção e que não ficou tão apreciável o seu corte e também não é tão eficaz e preciso.

            Giogio ao adquirir essa tesoura vai ter dificuldades de ter um bom corte no tecido, vai precisar se empenhar mais por causa da dificuldade no corte e também não vai conseguir ter seu próprio empenho lhe satisfazendo e permitindo com que ele desenvolva uma boa habilidade, pois sua ferramenta assim não lhe permite trabalhar.
            Enquanto isso nosso tecelão, vamos chamá-lo de Luis por seu grande e admirável apreço e por já ter certa importância consegue  adquirir uma boa tesoura feita por Sheffield assim consegue ter também um mérito maior e com isso passa a tingir seus tecidos e passa a se valorizar ainda mais em seu oficio!


            Mas Giogio por não ser apreciado já não consegue obter os bons tecidos feitos por Luis e além de ter de trabalhar com uma tesoura que não realiza bem o corte se vê obrigado a adquirir os tecidos que não tem tanta beleza e admiração, mesmo assim ele precisa realizar seu oficio para que dentro dessa sociedade ele possa adquirir seu valor!
            Agora vem a questão!
            Quem vai dar valor ao Giogio se as peças produzidas por ele não tem um corte admirável e o tecido que ele usa não tem tanta beleza e as cores não são as mais desejadas?



  1. Em um segundo momento:
           
            Suponhamos que Giogio agora é um alfaiate de grande prestigio e admiração e as peças produzidas por ele são de uma grande estimação dentro de uma sociedade. Quem usa as roupas feitas por Giogio é visto como sendo de grande importância em nossa ilha, pois o mérito de usar uma roupa feita por Giogio indica que a pessoa é capaz de dar ao Giogio o seu estimado valor.

            Giogio também não fica atrás e estima as pessoas que o ajudam em seu trabalho, assim Sheffield fez para ele uma excelente tesoura com um corte preciso e até seu aspecto é admirável e Luis seu tecelão preferido produz tecidos de ótimas cores e que facilitam a criatividade de Giogio e as pessoas ao serem capazes de valorizar o trabalho deles todos acabam participando e desejando ser e ter o que cada um é capaz de fazer. Assim as roupas de Giogio são vistas com grande apreciação, as tesouras de Sheffield são desejadas pela sua eficácia, dando a quem usa um mérito por sua precisão no corte, e Luis é estimado pelos seus tecidos e por tudo isso as pessoas passam além de querer ter o mesmo oficio dos três procuram trabalhar com o mesmo empenho buscando produzir com seus trabalhos algo que os façam ter a mesma admiração e importância que eles têm. Medida a importância que cada um tem, todos passam a buscar medir os seus próprios méritos para repeti-los. E eu digo medir agora no sentido de repetir o seu feito, como Sheffield ao fazer uma tesoura de boa apreciação sabe que para repetir o mérito precisa repetir aquela forma que obteve com sua boa tesoura, da mesma forma nosso tecelão precisa saber medir bem a proporção das cores em seus tecidos, também Giogio precisa saber reproduzir seus feitos com qualidade e precisão nas formas. A questão agora é:

            O que é que vai representar estes valores?

            Poderia gerar aqui outras tantas analogias diferentes, mas o importante aqui é entender que se não houver falhas de nenhum deles, seja por ambição ou avareza, que a medida de importância do bom trabalho pode desencadear um processo de apreciação cada vez melhor gerando resultados cada vez mais otimizados e com isso o enriquecimento de todos também é otimizado, o dinheiro é então a medida desse enriquecimento, não só de um, mas de todos, pois o dinheiro em si não passa de uma figuração dessa consideração do bom empenho que todos tiveram.

Análogo a isso:

            Podemos olhar para nossa ilha (ou País) como um organismo vivo onde as células são como os nossos personagens: Giogio, Sheffield e Luis e outros tantos que fazem parte deste imenso ser vivo que é uma nação; Se Sheffield não tiver um bom empenho em seu oficio e não produzir boas enzimas catalisadoras (ou tesouras) outras células que necessitam acelerar seu empenho como no caso Giogio não vai conseguir produzir a proteção que outras células necessitam inclusive Sheffield, enquanto que Luis também não vai ser reconhecido como uma proteína que serve para produzir esta membrana que envolve todas as células.
           
            O dinheiro é então uma medida de toda esta energia ou podemos chamar também de calorias que circula dentro deste organismo. Quanto maior o valor desta energia maior será o potencial de trabalho de nossas células, o dinheiro é então uma figuração deste potencial.

            Digamos então, como na nossa primeira analogia que o potencial desferido por nossas células Giogio, assim como na apreciação, é de pouca estima, ou seja: de baixa caloria e por isso outras células não buscam produzir os aminoácidos do qual Giogio é constituído e com isso todo organismo enfraquece!

            Já na segunda analogia as células Giogio são de alto valor energético e produz bastante proteínas com boa eficácia e apreciação gerando uma boa proteção para todas as outras células e nesta cadeia orgânica todos acabam se beneficiando e tendo um bom trabalho celular.

Células Infratoras

            O fenômeno da inflação é semelhante aos fenômenos das doenças dentro de um organismo, digamos que certas células ganham uma maior quantidade de calorias e com isso se multiplicam rápido demais, o que leva ao surgimento de um crescimento desenfreado de células, que pode acabar levando todo o organismo a falir...
           
            Em 1986 foi um ano marcado pelo inicio de um novo regime político aqui no Brasil, o presidente da republica era então José Sarney que assumiu o cargo após a morte de Tancredo Neves que iniciara um novo regime político no país, o regime democrático, em meio a tudo isso havia uma crise financeira com uma inflação desenfreada, então para contornar a crise da economia, Sarney montou uma equipe econômica e esta equipe foi responsável pela criação do Plano Cruzado. Adotando políticas de controle dos salários e dos preços, o governo esperava conter o desenfreado processo de inflação que assolava nossa economia. Logo de inicio os objetivos desse plano foram alcançados: a inflação atingiu valores negativos, o consumo aumentou e a economia entrou em estabilidade.  Pouco tempo depois a euforia de consumo levou o plano à falência.

            Foi como se as células tivessem consumido toda energia (ou calorias) que havia disponíveis, então a estabilização forçada dos preços retraiu os meios de produção e acabou fazendo com que os bens de consumo desaparecessem das prateleiras dos supermercados e das empresas. Isso equivale à perda de calorias e o trabalho das células não produzia as proteínas necessárias para todo o organismo. Muitos fornecedores, digamos: fornecedores de calorias passaram a cobrar um ágio para a obtenção de determinados produtos, ou dentro da mesma analogia a caloria gasta pra se obter energia era maior do que a energia obtida e pra piorar as pessoas que tinham dinheiro (calorias) aceitavam pagar este ágio, eu via pessoas dizendo:

            - Eu tenho dinheiro! Eu pago!

            Foi como se as células se esquecessem de que fazem parte de um único organismo e cada um procurava Levar vantagem em tudo! Certo?

            Errado!

            Novamente o dinheiro, ou seja, a medida de energia perdeu a consideração que todos tinham por ela...

            A inflação é então uma infração desse acordo convencional!

            Todos se esquecem que o dinheiro é algo abstrato que só tem valor se todos tiverem consideração por esse valor e os valores são apenas as constituintes de uma estima (padrão) que merece ser apreciado (seguido).

            Em outras palavras é como se o valor de um quilo fosse mudado constantemente e sem um padrão a ser seguido a cada dia o que era um quilo tem, dia após dia, uma proporção menor, o que faz com que a energia gasta para se obter calorias ficasse cada vez maior e a energia desprendida pelas calorias obtidas ficasse cada vez menor.

            Bom! Todos os seres, ou células vão lutar por sua sobrevivência, então imagine que as células passem a produzir um sangue venoso maior do que a capacidade do sangue arterial tem de recompor as energias das células, isso pode levar o organismo a falência.

       

     Deixando a analogia um pouco de lado agora, em 1986 eu trabalhava em uma pequena fabrica de resistências para maquinas injetoras industriais e neste mesmo ano, como já disse, houve esta mudança de plano econômico e o primeiro corte de zeros no dinheiro mudando o nome de Cruzeiro para Cruzado, pouco antes deste período não era complicado conseguir uma boa vaga de trabalho já que as empresas de pequeno e médio porte empregavam as pessoas mesmo sem conhecimento do oficio a ser realizado e o empregado aprendia na pratica a exercer sua função. O dia de pagamento era sempre no dia 10 do mês seguinte e o fenômeno interessante que ocorria, era que as empresas mesmo sem ter dinheiro em caixa sabiam que podia contar com 10 dias do mês anterior para gerar o dinheiro para o pagamento de seus funcionários e ao ver que havia um reajuste deste valor, a empresa também aumentava o valor de seus produtos para cobrir a despesa maior da folha de pagamento.

            Acontece que com isso a empresa além de produzir produtos se via obrigada a produzir dinheiro também, como se o dinheiro fosse mais um produto a ser produzido, só que as empresas não fabricavam dinheiro que só era obtido com a venda de produtos com isso a empresa aumentava o valor do produto para arrecadar mais dinheiro e fazendo isso à empresa produzia mesmo era a perda do valor da medida de seus próprios produtos.
            Seus trabalhadores ao receber este valor tinham que correr ao mercado para adquirir produtos, pois à medida que recebiam já estava desvalorizada pelo próprio aumento do produto que eles mesmos “Trabalhadores” haviam produzido, e nesta corrida enlouquecida de proporções que eram desmedidas constantemente é o que leva ao chamado fenômeno inflacionário!

            Com o congelamento dos preços e dos salários o governo conseguiu estabelecer uma ordem nestas proporções, mas falhou na mudança da data de pagamento da folha salarial que passou do dia 10 para o quinto dia útil de cada mês!

            Com isso a maioria das pequenas indústrias que abasteciam o mercado não conseguiram gerar o produto “dinheiro” para abastecer seus trabalhadores. Muitas indústrias acabaram fechando as portas, em meio a tudo isso os trabalhadores estavam de posse de seus salários... Ou melhor dizendo: de suas medidas de grande importância para o comércio, com essa importância a + tiveram o poder de adquirir produtos em maior quantidade, enquanto isso os produtos em si não estavam mais sendo produzidos na mesma proporção que havia de serem consumidos. Como os produtos acabaram ficando escasso, quem ainda tinha produtos para vender exigia o chamado ágio para vendê-los,  quem tinha dinheiro à + comprava. Aos poucos isso levou ao descontentamento geral de todos: saques ao comercio, revoltas, em meio a tudo isso a necessidade de eleger novas lideranças que deveria sair do meio do próprio povo!

            Bem, isso é só um resumo de uma longa história que foi se repetindo de forma tão rápida que o governo não tinha nem tempo para imprimir novas notas como no caso da mudança de Cruzeiro de 1990 para o Cruzeiro Real em 1993, como podemos ver na figura ao lado o governo tinha de carimbar as notas com um novo valor.

            O plano Real não foi nenhum plano milagroso, na realidade tudo isso ocorreu por causa do imenso paradigma que existe em torno do dinheiro o governo inovou foi na formula para que as pessoas aprendessem a lhe dar com os valores e chamou isso de URV: Unidade Real de Valores, foi uma formula (Até meio infantil a meu ver) de devorar a inflação no sentido inverso fazendo com que ao invés de aumentar o valor dos produtos se diminuísse o poder de compra do dinheiro. Hoje para corrigir isso quem teve seus valores financeiros prejudicados e guardou as documentações referentes a isso está conseguindo receber essa falsa correção de valores.

            Voltamos agora para analogia comparativa.

Relacionamento de Valor

            Uma infração é uma violação há uma determinada ordem e como vimos até aqui o dinheiro não passa de uma medida assim como o metro, quilo, potencia, intensidade, resistência, tensão... Todas essas medidas bem equilibradas são as mesmas que encontramos em um organismo saudável, o dinheiro tem uma característica especial entre todas as medidas que é a característica Econômica!   

            Assim como os valores, a palavra economia também se trata de uma derivação de outras ciências contidas dentro da própria palavra economia, que em suma trata da ciência de diminuir a energia gasta para a produção de algo. em contrapartida este algo deve produzir com maior eficiência uma quantidade maior de energia!

            Para entender como isso funciona vamos entender melhor qual a relação que o dinheiro tem com a produção de bens.

            Enriquecer exige que você seja capaz de produzir riquezas, portanto produzir riquezas é diretamente proporcional ao enriquecimento.

            Vamos analisar então o que ocorreu com nossos 3 personagens no primeiro momento de nossa analise:

            Giogio para enriquecer precisava naquele primeiro momento ser enriquecido com uma tesoura de bom corte, com tecidos de qualidade e cores mais procuradas e aceitas por todos, mas como vimos Sheffield valorizou-se demais e por isso exigia uma quantidade maior de valor do humilde Giogio que por não conseguir uma boa qualidade no corte e pelas dificuldades de produção mais eficaz não conseguia produzir com maior eficiência, em conseqüência disso também não obtinha tanto valor em seu trabalho. Ora se enriquecer é diretamente proporcional a produção de riquezas Sheffield ao valorizar demais o seu bom trabalho e menosprezar o “bem” mal produzido está menosprezando Giogio como um potencial consumidor de seus “bons” produtos, em conseqüência disso Giogio precisa se alimentar, ou seja: obter energia, e para não passar fome prioriza a economia, em outras palavras: poupa suas energias, para o seu próprio consumo e com isso adquire tecidos de menor valor energético, em suma: de menor custo energético, só que com isso ele também não consegue produzir um produto de maior admiração, estima ou apreciação e, portanto acaba ficando sem gratificação de um bom mérito.

            Já no segundo momento de nossa analise Giogio é reconhecido pelos seus méritos, de produzir excelentes produtos e com isso é mais admirado e estimado e, por reconhecer isso, ele também passa a apreciar as pessoas que contribuem para o seu trabalho e valoriza a sua excelente tesoura feita por Sheffield, Luis ao reconhecer os méritos de Giogio busca também melhorar a qualidade de seu tecido e observa que Giogio é admirado pelo corte perfeito que ele tem em seus tecidos, Luis procura então Sheffield para produzir uma tesoura pra ele com as mesmas qualidades que a tesoura de Giogio tem e observa também, que o emprego de uma boa tesoura pode auxiliá-lo na tosquia das ovelhas e pede a Sheffield para produzir uma tesoura adequada e este trabalho, com isso todos empregam suas energias a produzir bens que além de admiração e apreciação também os auxiliam na aquisição de maior energia, em outras palavras: maior mérito...

            Observem que para falar de nossos três personagens desde o inicio não falei diretamente em nenhum momento sobre nosso bendito medidor de valores que é o “dinheiro” e mesmo assim é possível entender a analogia, isso porque como já disse o dinheiro é só mais uma medida, e todas estas trocas não passam de um trabalho de importância que cada um tem para o outro na concepção e obtenção de energia.

            Isso tudo nos mostra que a relação do valor do dinheiro é diretamente ligada ao enriquecimento de cada um e este enriquecimento pode assumir diversas formas de valores diferentes, pode ser valor econômico: o produto bem concebido por Sheffield diminui o gasto de tempo e de trabalho tanto de Luis como de Giogio; valor de mercado: é o fato das pessoas apreciarem um produto bem feito e no caso se aplica aos três personagens; valor de troca: as tesouras de Sheffield são estimadas por todos e por isso quem tem uma, têm a capacidade de trocá-la por outro bem que seja de seu maior interesse ou necessidade; valor de uso: é a satisfação que todos têm por conseguirem adquirir excelentes produtos; valor estimado: é a estima ou apreço que cada um tem por aquilo que se obteve ou pelo que é capaz de produzir...

            Ao olharmos para trás na história e em toda obtenção de valores na humanidade vemos que desde os produtos ás construções mais antigas são sempre cheias de detalhes e cores, tudo possui um certo capricho na produção e, é claro que isso é reflexo da valorização do que cada um era capaz de fazer.

            As casas possuíam detalhes nas varandas e em suas fachadas, prédios e construções são sempre cheias de cores e até uma estimada elegância e fineza em seu acabamento e não é só isso, as roupas, as máquinas antigas... Tudo era feito de forma a ser agradável para o ser humano e não obstante disso o ser humano era valorizado pelo seu excelente trabalho.

            A revolução industrial tirou aos poucos a qualidade de tudo que era feito pelo homem para ser considerada a quantidade o fator primordial.

Valorizando o Relacionamento

            Incrivelmente uma das pessoas mais responsáveis pela revolução industrial foi também uma das pessoas mais conscientes sobre o que é o dinheiro, em uma de suas frases ele diz:

            O dinheiro é a coisa mais inútil do mundo; não estou interessado nele, mas sim no que posso fazer pelo mundo com ele”

            Esta frase pertence a Henry Ford um dos homens mais extraordinários na história da humanidade, porém seus bons exemplos não foram tão entendidos e seguidos por todos. Embora ele também produziu erros, mas vamos ater aqui principalmente aos méritos.

            Ford deu inicio a produção em grande quantidade de automóveis a baixo custo por meio do artifício conhecido como "linha de montagem", no qual era capaz de produzir um carro a cada 98 minutos, mas a questão mais interessante e talvez pouco divulgada foi que Ford começou a pensar em quem iria consumir os carros fabricados por ele?

            Em 1914 ele tornou seus pensamentos em uma esperança de uma nova realidade quando aumentou o salário de seus funcionários de US$ 2,34 para US$ 5,00 dólares por dia o que mais que duplicou os salários na época, isso porque no pensamento de Ford seus funcionários poderiam se tornar seus próprios consumidores de seus veículos, como se não bastasse a ousadia ele também diminuiu a jornada de trabalho de 9 para 8 horas por dia e 5 dias da semana e ainda inovou dividindo o controle acionário de sua empresa com seus funcionários.
           
            O veiculo produzido na época chamado de modelo T bateu o recorde de produção em grande escala fechando o ano 1927 com 15.007.034 unidades produzidas, este recorde permaneceu por 45 anos seguidos, o mesmo modelo chegou a ser vendido pelo valor de US$ 360,00 para os veículos com características básicas.
           
            Com o salário pago por Henry Ford um carro custará apenas 72 dias de trabalho!

            Ford também investiu em propaganda algo muito inovador na época e também abriu concessionárias por todo país norte americano. Nem todas as boas idéias de Ford pareceram tão boas assim na época como a padronização da cor de fabricação, ele também resistiu bastante à ideia de incorporação de inovações mais atuais no modelo T, de criar linhas de crédito para que as pessoas pudessem adquirir seus veículos, mas aos poucos ele mudou de ideia fazendo com que sua empresa se tornasse uma das maiores financiadoras de veículos, também não o agradava a ideia da sindicalização de seus funcionários. Henry Ford acreditava que o mínimo de esforço de seus funcionários deveria ser usado com maior eficiência e com isso a expansão de suas fabricas saiu do território nacional e se espalhou em diversos países no Mundo.

     Análogo a isso vamos imaginar dois reinos:

O Reino de Sheffield

            Neste Reino Sheffield é um rei absoluto e tirano, o desenvolvimento de armas o tornou poderoso por colocar as pessoas para produzir bens para ele em troca de poucos benefícios, o mais creditado é que todos dentro daquele reino estariam protegidos do mal de outros reinos. Seus súditos ganhavam em troca da opressão apenas proteção, mas com isso eles dedicavam a produção de energia apenas para o próprio consumo e pouco para o próprio reino, fazendo com que Sheffield os obrigassem a gerar energia para ele de forma forçada.

O Reino de Giogio

            Já no reino de Giogio seus súditos eram livres para produzirem seus próprios bens e Giogio em troca oferecia algo mais que proteção, ele oferecia aos seus súditos o beneficio de se governarem e desenvolverem seus próprios meios de produção, também de julgarem e decidirem por si mesmos a forma de desenvolverem seus próprios benefícios, então ao invés de Giogio dizer que os protegeria simplesmente os conscientizavam do que eles tinham de se protegerem: Seus lares e famílias, seus bens e seus acordos convencionais...

            Supondo que ambos os reinos lutassem contra si, em qual deles você lutaria com mais vigor?

            Certamente a valorização de um bom relacionamento é capaz de produzir um reino mais produtivo e eficiente, portanto o dinheiro que circula no reino só é de grande estima se houver grandes valores representados nele.

            Nenhum rei, por mais rico que seja é capaz de produzir seu próprio reino sozinho, da mesma forma as riquezas não tem nenhum significado se não servir para beneficiar as pessoas.

Economizar é Valorizar

            Certa vez vi uma reportagem sobre os salários pagos pelos Suíços. Um coletor de lixo ganha um pouco menos que um médico formado de carreira. Ao pesquisar sobre isso vi dados interessantes sobre o modo com que eles governam a si mesmos, existem controles rigorosos para limitar os salários mais altos de executivos ao tempo que a própria iniciativa privada aumenta estes salários para equilibrar as diferenças.

            Isto revela que um sistema onde todos têm uma proximidade maior de adquirir bens independentes do que fazem, trás um conjunto de benefícios maior a todos, sem menosprezar os meios de produzir este beneficio.

            O que me leva a pensar que existem erros absolutamente fáceis de serem corrigidos no sistema econômico atual, sem que isso gere a pandemia de uma crise de desvalorização do dinheiro:

            E só ofertar mais dinheiro a quem ilusoriamente tem menos valor!

            Não chega ser uma utopia mais é muito simples de entender e pra mim fica mais fácil explicar através de uma analogia simples em uma situação hipotética.

            Digamos que Giogio por ter conseguido, através de seus méritos, ganhar tanto reconhecimento de seus feitos que agora não precisa mais trabalhar, em outras palavras as sua energia gasta durante um período de sua vida foi mais que suficiente para acumular sua importância existencial na sociedade e com isso ele dedica agora seu tempo livre para cuidar do seu imenso jardim.

            Mas Luis seu grande amigo e tecelão perdeu a importância ao ver que sua lã foi substituída pela seda. Giogio decide então ajudar seu amigo em troca ele pede para Luis para ajudá-lo a cuidar de seu jardim

            Luis se empenha em ser um bom jardineiro e ao ver a beleza de seu jardim, Giogio gratifica Luis com um valor bem maior do que o combinado.

            Se sentindo grato, Luis decidiu então empregar suas energias ao oficio de jardinagem e com isso pede para Sheffield lhe fazer ferramentas, para que ele possa realizar seu trabalho com maior empenho empregando menos tempo e energia física.

            Assim, Luis volta a trabalhar no jardim de Giorgio e as pessoas ao apreciarem seu jardim, o questionam sobre quem foi seu jardineiro e Giorgio prontamente o recomenda Luis para jardinagem, equipado com ferramentas que permite a Luis desenvolver um bom trabalho, em um custo de menor tempo, Luis consegue se empenhar na arte de jardinagem com maior eficiência e estimado por todos passa ter seu valor como jardineiro.

            Giogio ao ver a valorização de seu amigo sabe que com o tempo ele também vai precisar novamente de chamar seu amigo para inovar seu jardim e continuar recebendo a mesma admiração que tem e para poder continuar com seu lindo jardim e para isto ele precisa novamente se empenhar na construção de valores...

            Já ouviu dizer que quanto mais rico mais trabalho?

            E é bem isso que acontece mesmo, para se manter enriquecido, que é diretamente proporcional a produção de riquezas, Giorgio vai ter que tornar ao trabalho de enriquecer as pessoas para continuar tendo seu belo jardim...

            Quando você compra algo que lhe dá uma maior eficiência certamente você está dando valor a sua eficiência e com isso ao dar um valor por uma ferramenta você está valorizando a riqueza produzida por esta ferramenta, de certa forma a flutuação entre os valores de trabalho e produção indica que o valor de algo esta sendo direcionado para outro lado e só existe um único lado para onde as riquezas devem ser dirigidas: O lado Humano!

            Suponhamos que seres de outro planeta invada o nosso planeta, mas com uma boa e bela intenção: ajudar a humanidade!

            E como premio de confiança, eles dão para cada ser humano um meio de transporte incrivelmente eficiente capaz de voar e levar a gente para qualquer lugar do mundo com um simples apertar de um botão, podemos estar em questão de segundos em qualquer lugar que possamos imaginar e também transportar produtos e qualquer coisa que possamos imaginar!

            Parece ótimo!

            Mas o que vai acontecer com os carros, caminhões, trens, aviões... E todos os outros veículos já fabricados pelo homem?

            Quem vai querer trabalhar por algo que ficou de uma hora pra outra totalmente inútil?

            Portanto um carro só tem valor para nós porque acreditamos que existe valor no que ele faz.

            Da mesma forma deveríamos valorizar o ser humano por este ter valor no que é capaz de fazer, o que parece obvio é que o valor esta em quem ajuda a produzir as riquezas e não na riqueza em si mesma.

            Qual o valor de um diamante no bolso de um mendigo?

            Ou melhor, se pensarmos:

            O que você faria por um mendigo pra ele te dar um diamante?

            Bom, você poderia dar um banho nele, cortar os cabelos dele, dar a ele roupas limpas... Enfim o que temos a oferecer a cada um é o que você pode fazer por você mesmo, então cada um de nós merece ser visto como um diamante...

            Eu vejo hoje em dia a vida humana sendo valorizada a todo custo!

            Nos comovemos com acidente, com quem morre cedo, com desastres naturais...

            E tudo isso me faz pensar que se economizamos, ou seja, poupamos energia, é para direcionar está energia para aquilo que realmente merece nosso respeito, a nossa consideração, e com certeza se tem algo que merece nossa consideração é a vida, portanto não adianta acumular este medidor de valores embaixo do colchão, como um mendigo que guarda seu diamante no bolso de uma roupa suja e rasgada, é preciso enriquecer o seu jardim e dar valor ao ser humano, que faz o seu jardim admirável, se ser admirado lhe faz bem passe isso adiante multiplique isso valorizando as pessoas que te enriquecem, sua empregada doméstica, seu motorista... Vejo gente que é capaz de pagar R$ 50.000,00 numa simples bolsa e acaba por enriquecer quem já é rico e na hora que mostra seus empregados estes estão de cabeça baixa se vendo obrigados a serem honestos por que o mundo simplesmente  os obriga a tocar a vida sem o direito de realmente viver!

Elysium

            Há pouco tempo assisti a um filme chamado Elysium um filme interessante, mas com erros que por mais absurdos que pareçam poderiam ser fatos se houvesse mesmo a oportunidade de certos seres de fazerem isso.

            Elysium é um pequeno mundo a parte e fora deste mundo onde os ricos têm tudo enquanto quem está no mundo são apenas peças que são usadas por estes!

            É incrível ver que esta ênfase cinematográfica na realidade permeia o Universo de muita gente que dirige as riquezas apenas para o seu próprio prazer e devoção de seu ego, mas a tentativa mais absurda ainda é fazer com que os ricos paguem + por serem ricos!
           
            Bom a idéia é que quem ganha mais paga mais, só que quem ganha mais naturalmente gasta mais, usa mais recursos e também adquire mais riquezas e com isso já está pagando mais, mas para compensar as outras pessoas que não tem tanta sorte assim o que se faz no sistema de governo é cobrar mais impostos dos ricos!
           
            Isso é uma ilusão enorme fazer com que o rico enriqueça um órgão (governo) para que este órgão enriqueça os outros órgãos (povo)!

            Assim como num sistema orgânico o rico deveria enriquecer a quem lhe prestam riquezas, como ao invés de pagar R$ 50.000,00 numa bolsa, que tal gastar R$ 50.000,00 por ano com uma faxineira?

            Mas por revolta, ganância, avareza, seja lá o que for, o rico tem a péssima ilusão de que ele já contribui pagando mais imposto!
            Não sei se esta palavra realmente existe, mas achei muito interessante a ênfase que ela dá a esse sistema: a Ineptocracia!

            Um sistema de governo onde os menos capazes para liderar são eleitos pelos menos capazes de produzir, e onde os membros da sociedade menos capazes de se sustentarem ou terem sucesso são recompensados com bens e serviços pagos pelo confisco da riqueza de um numero decrescente de produtores.

            O certo é que o ano de 2013 por causa de 20 centavos de aumento na passagem de ônibus gerou uma onda de protestos aqui no Brasil!

            Isso talvez seja o sinal de que o sangue arterial de um país pode radicalmente se transformar em venoso, quando estes se virem obrigados a desprenderem mais energia para o organismo, sem receber uma boa dose de oxigênio, este sangue pode brutalmente virar o veneno e levar toda esta estrutura orgânica a perda de seu valor, e há uma maneira fácil de mudar isso quando todos mudarem a forma de olhar para o dinheiro e virem que aquilo não tem nenhum significado se não forem empregados para oxigenar o sangue, adquirir proteínas e fluir como a água neste imenso corpo que é o nosso mundo, levando e trazendo para todos “o bem estar” de uma vida onde o negócio bom mesmo é levar vantagem a todos!

E isso é o Céeeerto!


Certo?

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